1960 – 1980 d.C. Datação estabelecida
A campanha internacional que moveu os templos da Núbia
Para salvar os templos que o lago da represa de Assuã iria submergir, cerca de cinquenta países financiaram o desmonte e a remontagem de monumentos inteiros entre 1960 e 1980. A operação deu origem à ideia de um patrimônio de interesse comum, formalizada em convenção internacional.
Descobertas arqueológicas Arqueologia UNESCO Abu Simbel Agilkia patrimônio mundial
Contexto
A nova barragem elevaria o nível do rio e cobriria a Núbia setentrional. O apelo lançado em 1960 reuniu financiamento e equipes de dezenas de países. Em Abu Simbel, as fachadas e as salas escavadas na rocha foram serradas à mão em mais de mil blocos de vinte a trinta toneladas, içados e recompostos sessenta e cinco metros acima e duzentos metros atrás da posição original, dentro de uma colina artificial sustentada por uma cúpula de concreto que recebe o peso do terreno. O templo de Ísis foi desmontado e reerguido na ilha vizinha de Agilkia, cujo relevo foi remodelado para se aproximar do original. Kalabsha, Amada e Uádi es-Sebua também mudaram de lugar.
Em paralelo, missões percorreram o vale que seria inundado e documentaram centenas de ocupações, do Paleolítico às igrejas cristãs medievais; a maior parte desses locais está hoje sob a água. Quatro templos menores foram cedidos a países que contribuíram e estão em Nova York, Madri, Leiden e Turim. Dezenas de milhares de moradores núbios foram transferidos para assentamentos distantes da região alagada. O argumento usado para sustentar a campanha, o de que certos monumentos interessam a toda a humanidade e não somente ao Estado onde se encontram, foi incorporado à convenção internacional de 1972 e à lista que dela resultou.
Importância histórica
A operação provou que era possível deslocar arquitetura escavada na rocha sem perdê-la, e o fez em escala nunca tentada antes nem repetida depois. Seu efeito mais duradouro, porém, foi conceitual: a noção de patrimônio mundial nasceu ali, e com ela o mecanismo de cooperação que hoje ampara sítios em todo o planeta. A campanha também produziu o levantamento mais completo já feito da Núbia setentrional, região que deixou de ser acessível ao trabalho de campo.
Consequências
- Salvou da submersão os templos situados entre a Primeira e a Segunda Cataratas.
- Deu origem à convenção internacional que criou a lista de patrimônio mundial.
- Documentou centenas de ocupações núbias antes do enchimento do lago.
- Transferiu quatro santuários para museus de países que financiaram a operação.
Acontecimentos relacionados
-
c. 1264 a.C. Novo Império
Os templos de Abu Simbel afirmam o poder egípcio na Núbia
Ramsés II mandou escavar na encosta de Abu Simbel dois templos rupestres: o maior, com quatro colossos sentados de cerca de vinte metros, dedicado a…
Construções -
c. 537 d.C. Domínio romano
O fechamento de Filas encerra os cultos antigos
Por ordem de Justiniano, um comandante enviado à Primeira Catarata encerrou o santuário de Ísis, confiscou as imagens de culto e prendeu os…
Mudanças religiosas -
c. 1860 a.C. Médio Império
A linha de fortalezas da Segunda Catarata
A militarização da Baixa Núbia foi feita por etapas: Buhen e outros postos no início da XII Dinastia e, sob Senusret III, o grupo de Semna, Cumma e…
Guerras -
593 a.C. Época Baixa
Soldados de Psamético II assinam a parede de Abu Simbel
Na perna de um colosso de Ramsés II, soldados a serviço de Psamético II gravaram em grego, em cário e em fenício o registro de sua subida do Nilo. O…
Escrita