593 a.C. Datação aproximada
Soldados de Psamético II assinam a parede de Abu Simbel
Na perna de um colosso de Ramsés II, soldados a serviço de Psamético II gravaram em grego, em cário e em fenício o registro de sua subida do Nilo. O conjunto está entre os textos alfabéticos gregos mais antigos que se podem situar em um contexto histórico conhecido.
Época Baixa Escrita grafites alfabeto grego Cuxe Abu Simbel
Contexto
No terceiro ano de reinado, Psamético II enviou contra Cuxe uma expedição que subiu o rio muito além da Segunda Catarata. Estelas encontradas em Tânis, Karnak e Assuã celebram a vitória, e o mesmo reinado ordenou o apagamento dos nomes dos reis núbios nos monumentos egípcios. O grafite grego de Abu Simbel completa o quadro pelo lado da tropa: diz que os autores chegaram até onde o rio permitia navegar, na altura de Kerkis, e nomeia os dois comandantes, um à frente dos contingentes estrangeiros e outro à frente dos egípcios.
O valor do achado está na combinação de precisão e banalidade. São assinaturas de soldados, em dialetos diferentes do grego, ao lado de inscrições em cário e em fenício, gravadas na perna de uma estátua que já tinha mais de seis séculos. Mostram que homens de origem egeia serviam em campanha no extremo sul, que sabiam escrever e que consideravam natural deixar o próprio nome num monumento faraônico. A altura em que os textos foram feitos indica ainda quanta areia cobria a fachada do templo naquele momento, informação útil para a história do sítio.
Sobre a datação
A campanha é datada do terceiro ano de Psamético II por estelas egípcias, mas os grafites não trazem data. Discute-se se foram gravados na subida do rio ou no regresso.
Importância histórica
Poucos documentos ligam com tanta economia a história militar egípcia à história da escrita grega. Para a egiptologia, os grafites confirmam a composição mista do exército saíta e a extensão real da campanha contra Cuxe. Para o estudo do alfabeto grego, oferecem um conjunto que pode ser aproximado de uma data histórica, coisa rara nas inscrições arcaicas. E documentam, de passagem, o estado do templo de Ramsés II mais de mil anos depois de sua construção.
Consequências
- Comprova a presença de tropas gregas, cárias e fenícias em campanha no alto Nilo.
- Oferece à epigrafia grega um conjunto de textos aproximável de uma data histórica.
- Indica o nível de areia que já cobria a fachada do templo no início do século VI a.C.
- Registra o nome dos dois comandantes, um dos estrangeiros e outro dos egípcios.
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