c. 1264 a.C. Datação aproximada
Os templos de Abu Simbel afirmam o poder egípcio na Núbia
Ramsés II mandou escavar na encosta de Abu Simbel dois templos rupestres: o maior, com quatro colossos sentados de cerca de vinte metros, dedicado a Amon-Rá, Rá-Horakhti, Ptá e ao próprio rei divinizado; o menor, consagrado a Hathor e à rainha Nefertari.
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Contexto
A escolha do lugar respondia a uma necessidade de governo. Abu Simbel ficava na rota fluvial que ligava o Egito às minas de ouro e às províncias administradas pelo vice-rei de Cuxe, e as fachadas foram talhadas de frente para o rio, de modo que quem subia ou descia o Nilo encontrasse primeiro os colossos do rei. No santuário mais profundo, quatro estátuas sentadas mostram Ramsés II entre os grandes deuses do Estado, na mesma escala e recebendo o mesmo culto. O eixo do templo foi orientado de tal modo que a luz do sol nascente alcança esse fundo em dois momentos do ano.
O templo menor foi dedicado a Hathor de Ibchek e a Nefertari, representada na fachada em pé e do mesmo tamanho que o marido, arranjo raro na escultura monumental egípcia. Nas paredes internas do templo grande, cenas de guerra apresentam a campanha contra Hatti como vitória plena, versão que o próprio Estado egípcio divulgava. No século vinte, quando a represa de Assuã formou um lago que submergiria o conjunto, os dois templos foram cortados em blocos numerados, transportados e remontados cerca de sessenta metros acima e duzentos metros atrás da posição original, dentro da campanha internacional de salvamento dos monumentos da Núbia.
Sobre a datação
O início das obras é situado por volta do ano vinte de Ramsés II, e a conclusão do conjunto se estendeu por cerca de duas décadas. As datas absolutas do reinado variam alguns anos entre as cronologias em uso.
Importância histórica
Abu Simbel mostra como o Egito ramessida governava a Núbia: não apenas com guarnições e cobrança de tributo, mas com arquitetura destinada a ser vista e compreendida por quem vivia e circulava na região. O rei aparece ali como divindade local, e o culto oficial passa a incluí-lo entre os deuses que recebem oferendas. A transferência do conjunto no século vinte deu ao monumento uma segunda vida, agora como referência mundial de conservação de patrimônio.
Consequências
- Consolidou uma rede de santuários ramessidas na Núbia, de Beit el-Uali a Gerf Hussein e Uádi es-Sebua.
- Fixou a imagem do rei divinizado como forma de presença do Estado longe da capital.
- Tornou-se o principal argumento da campanha internacional que salvou os monumentos núbios da inundação.
- Sua remoção criou precedentes de desmonte e remontagem aplicados depois a outros sítios ameaçados.
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