c. 1155 a.C. Datação aproximada
A conspiração do harém e o julgamento dos culpados
Um grupo formado por uma esposa secundária do rei, seu filho e dezenas de funcionários de palácio tentou eliminar Ramsés III e colocar no trono o príncipe conhecido como Pentauer. Os papiros judiciais de Turim conservam a lista de acusados, os interrogatórios e as penas aplicadas pelo tribunal reunido para o caso.
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Contexto
A corte ramessida abrigava várias esposas reais e seus filhos, e a sucessão não seguia regra automática. A rainha Tiye, mãe do príncipe registrado nos documentos pelo nome Pentauer, articulou uma conspiração que envolveu mordomos, escribas do harém, chefes militares e funcionários do tesouro, com apoio buscado também fora do palácio. Um tribunal extraordinário de doze membros foi nomeado para julgar cerca de quarenta acusados. As sentenças incluíram execução, autorização para tirar a própria vida e mutilação; parte dos próprios juízes foi punida depois por conduta imprópria com as mulheres detidas.
Os textos deformam de propósito os nomes dos réus, trocando elementos divinos por termos negativos, prática que retirava do condenado a proteção associada ao nome. Eles registram o julgamento e as penas, mas não afirmam se o atentado contra o rei foi consumado. Exames por imagem da múmia atribuída a Ramsés III, publicados na década de dois mil e dez, identificaram um corte profundo na região do pescoço, que alcança as vértebras, produzido antes da mumificação e compatível com uma lesão fatal. O que os exames sustentam é a existência do ferimento; a ligação com o processo permanece uma inferência.
Sobre a datação
Os papiros do processo não trazem data completa e são situados nos últimos anos de Ramsés III, cujo reinado terminou por volta de 1153 a.C. segundo a cronologia mais usada.
Importância histórica
O caso é o processo criminal de mais alto nível preservado do Egito antigo e o único que descreve, do ponto de vista da administração, uma tentativa de golpe dentro do palácio. Documenta procedimentos de tribunal, hierarquia de responsabilidades e o vocabulário jurídico da época. Com a chegada dos exames por imagem, tornou-se também um dos exemplos mais citados de confronto entre documentação escrita e evidência física, sem que uma resolva por completo o que a outra deixa em aberto.
Consequências
- A sucessão ficou com Ramsés IV, filho de outra esposa real, e não com o pretendente do grupo.
- Registrou por escrito o procedimento de um tribunal reunido por ordem direta do palácio.
- Deixou nomes de acusados deliberadamente alterados, testemunho de uma pena que atingia a identidade.
- Ofereceu à investigação recente um caso em que texto e restos humanos podem ser comparados.
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