1177 a.C. Datação aproximada
Ramsés III enfrenta os povos do mar
No ano oito de Ramsés III, o Egito enfrentou por terra e por água grupos designados nos textos como peleset, tjeker, chequelech, denien e uechech. As paredes do templo de Medinet Habu registram os combates como vitória completa do rei, em relevos que são documento de Estado e não crônica dos fatos.
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Contexto
O período em torno de mil e duzentos anos antes da era comum viu ruir vários centros do Mediterrâneo oriental: Hatti perdeu a capital, Ugarite foi abandonada, cidades micênicas foram destruídas. A expressão povos do mar é uma criação de estudiosos do século dezenove e reúne, sob um rótulo único, populações de origens distintas. Os nomes registrados nos textos egípcios correspondem a grupos que aparecem em contextos variados: alguns como atacantes, outros como soldados já contratados por egípcios e hititas, outros ainda como famílias em deslocamento, com carros de bois e mulheres representadas ao lado dos combatentes.
Ramsés III organizou a defesa em duas frentes: uma linha de praças fortes na estrada do Sinai e uma emboscada nas bocas do delta, onde barcos egípcios com arqueiros atacaram embarcações apinhadas e sem espaço de manobra. Os relevos do templo funerário de Medinet Habu, em Tebas ocidental, são a fonte principal e exigem leitura cautelosa: seguem convenções de composição herdadas de monumentos anteriores, repetem fórmulas de aniquilação total e omitem perdas próprias. O Egito manteve as fronteiras, mas perdeu nas décadas seguintes o controle sobre as praças do Levante.
Sobre a datação
O ano oito de Ramsés III é indicado pelos textos do templo de Medinet Habu, mas sua conversão em data absoluta varia entre as cronologias propostas para o início da XX Dinastia.
Importância histórica
O confronto é o único ponto em que a crise do fim da Idade do Bronze aparece narrada por um Estado que a atravessou sem desaparecer. Por isso Medinet Habu se tornou peça central em qualquer discussão sobre aquele colapso, e também um caso exemplar do cuidado exigido pelas fontes comemorativas: o mesmo muro que dá nomes e imagens aos adversários apaga tudo o que contrariaria a figura do rei vitorioso.
Consequências
- Levou ao assentamento de parte dos grupos derrotados como soldados e colonos em domínios egípcios.
- Foi seguido pela perda progressiva das guarnições egípcias no Levante.
- Coincidiu com a instalação de populações peleset na faixa costeira do sul do Levante, atestada pela arqueologia local.
- Concentrou recursos no templo de Medinet Habu, que virou centro administrativo de Tebas ocidental.
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