c. 1157 a.C. Datação aproximada
A primeira greve de trabalhadores registrada
No ano vinte e nove de Ramsés III, os operários encarregados das tumbas reais deixaram o trabalho e ocuparam os pátios dos templos funerários de Tebas ocidental porque as rações de grão estavam atrasadas. O papiro que registra a paralisação é o mais antigo relato conhecido de uma ação desse tipo.
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Contexto
Os homens de Deir el-Medina não recebiam moeda, e sim uma remuneração em espécie entregue pela administração do tesouro: trigo e cevada em quantidade fixa por mês, além de peixe, lenha, óleo, cerveja e roupas. Quando o grão atrasava, faltava alimento em casa no mesmo mês. No segundo mês da estação de peret, com dezoito dias de atraso acumulado, a equipe cruzou os muros do recinto e sentou-se atrás do templo funerário de Tutmés III, seguindo nos dias seguintes para o Rameseu e para Medinet Habu, onde ficavam os celeiros e a administração local.
O papiro conservado em Turim anota as falas dos trabalhadores, a intermediação do escriba Amennakht e a chegada de vizires, sacerdotes e chefes de polícia para negociar. A queixa é direta: eles dizem ter vindo por fome. As entregas foram feitas em parte, e a interrupção do trabalho voltou a ocorrer nos anos seguintes. Chamar isso de greve é uma leitura moderna. Para os envolvidos, tratava-se de exigir o cumprimento de uma obrigação do Estado e o restabelecimento da ordem devida, não de negociar entre patrão e empregado, categorias inexistentes naquele mundo.
Sobre a datação
O papiro data a paralisação do ano vinte e nove de Ramsés III, com dia e mês precisos; a correspondência desse ano com a escala absoluta depende da cronologia adotada para o reinado.
Importância histórica
O episódio é a documentação mais antiga de uma paralisação coletiva de trabalho, e vale menos como origem de uma instituição do que como janela para o funcionamento real do Estado egípcio no fim do Novo Império. Mostra a dependência de uma cadeia de abastecimento que podia falhar, o reconhecimento de que a falha estava do lado da administração e a existência de canais para levar reclamações a autoridades muito acima da vila.
Consequências
- Expôs a fragilidade do abastecimento de grão que sustentava as obras reais.
- Levou autoridades de alto escalão a negociar diretamente com uma equipe de operários.
- Repetiu-se em reinados seguintes, registrado no mesmo conjunto de anotações da vila.
- Preservou o vocabulário usado pelos próprios trabalhadores para descrever sua situação.
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