1799 d.C. Datação estabelecida
A Pedra de Roseta é encontrada em Rachid
Durante obras em um forte perto de Rachid, no delta, soldados franceses notaram um bloco de granodiorito reaproveitado na alvenaria, com o mesmo decreto gravado em três formas de escrita. A peça deu aos estudiosos europeus um texto grego correspondente a textos egípcios.
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Contexto
O bloco apareceu em julho de 1799, durante o reforço de uma fortificação junto à foz ocidental do rio. Um oficial percebeu que a pedra encaixada no muro trazia inscrições distribuídas em três faixas e mandou retirá-la. Cópias em tinta foram tiradas e enviadas a estudiosos na Europa antes mesmo de a peça sair do Egito. Com a capitulação francesa em 1801, o original passou às mãos britânicas e está exposto em Londres desde 1802. A pedra já era material reaproveitado quando surgiu na muralha: seu lugar de origem era um templo do delta, e não a fortaleza onde foi vista pela primeira vez.
O texto é o decreto aprovado por sacerdotes reunidos em Mênfis em 196 a.C., em honra de Ptolomeu V, redigido em grego, em demótico e em hieróglifos. A parte hieroglífica é a mais danificada, com apenas catorze linhas preservadas, o que reduziu sua utilidade imediata. O bloco sozinho não bastava: a leitura dependeu também de obeliscos e de outros monumentos com nomes reais repetidos, além do conhecimento da língua copta. Décadas mais tarde, um segundo decreto bilíngue, o de Canopo, permitiu conferir as equivalências propostas e confirmar o procedimento adotado.
Importância histórica
O achado colocou em circulação uma correspondência direta entre grego e escrita egípcia, algo que nenhum documento então disponível oferecia com tal extensão. Sem ele, os primeiros ensaios de leitura teriam demorado bem mais a encontrar apoio verificável. A peça também se tornou o objeto mais citado nas discussões sobre a permanência de antiguidades egípcias em museus estrangeiros, tema que acompanha a disciplina desde o seu início.
Consequências
- Colocou em circulação um mesmo decreto em grego e em duas escritas egípcias.
- Serviu de base para os primeiros ensaios de leitura do demótico.
- Tornou-se referência permanente nas disputas sobre acervos formados no século XIX.
- Permaneceu no centro de pedidos de devolução formulados por autoridades egípcias.
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