c. 1400 a.C. Datação aproximada
A Estela do Sonho e o primeiro restauro documentado
Uma estela de granito instalada entre as patas da Esfinge conta que o príncipe adormeceu à sombra do monumento e ouviu o deus pedir que o livrasse da areia. O texto associa a limpeza do monumento à chegada ao trono e é o mais antigo relato egípcio de um restauro deliberado.
Novo Império Mudanças religiosas Grande Esfinge Gizé restauro Horemakhet
Contexto
A laje foi feita a partir de um lintel retirado do templo funerário de Quéfren, mil e cem anos mais antigo, e colocada de pé contra o peito da escultura. O texto narra que o filho do rei, depois de caçar no deserto de Gizé, deitou-se à sombra da Esfinge ao meio-dia e recebeu em sonho a fala do deus Horemakhet, o Hórus do horizonte, que se dizia sufocado pela areia e prometia a realeza em troca da desobstrução. A parte final da inscrição está muito danificada, e a promessa em si depende de restituição, o que torna prudente falar de uma versão oficial e não de um registro literal.
A intervenção acompanhou obras concretas: muros de tijolo cru foram erguidos em torno da escultura para conter a areia levada pelo vento, e o culto do monumento foi reativado, com capelas instaladas nas proximidades. No Novo Império, Gizé já era um lugar antigo, procurado por visitantes que deixaram grafites nos templos e por devotos que dedicavam pequenas estelas à Esfinge, cultuada como divindade solar. A prática de reformar monumentos herdados e de registrar o feito em texto próprio se repetiria depois, sobretudo entre os reis saítas e cuxitas.
Sobre a datação
O monumento traz o ano um do reinado de Tutmés IV, o que fixa a data relativa com segurança; a passagem para o calendário atual depende da cronologia escolhida, com diferença de cerca de dez anos entre as versões alta e baixa.
Importância histórica
A estela mostra que os egípcios tinham consciência histórica da própria antiguidade e transformavam o cuidado com o passado em argumento de legitimidade. Ela também é a mais antiga descrição conhecida de um trabalho de conservação, com a causa do dano, a medida adotada e a justificativa religiosa reunidas em um só texto. Para o estudo de Gizé, fornece a evidência de que a Esfinge estava soterrada até os ombros e recebia culto ativo mil anos depois de esculpida.
Consequências
- Retirou a areia acumulada em torno da Esfinge e reativou o culto solar no local.
- Levou à construção de muros de contenção de tijolo cru ao redor da escultura.
- Reaproveitou um lintel do templo de Quéfren como suporte da inscrição.
- Criou o precedente de comemorar restauros em texto próprio, imitado por reinados posteriores.
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