c. 570 a.C. Datação aproximada
Náucratis concentra e regula o comércio grego
Amásis II concedeu aos gregos um porto único no braço canópico do Nilo, com santuários, oficinas e cobrança de direitos. Os achados do local mostram que o povoado já existia antes dele: o que a coroa fez foi enquadrar e taxar um comércio em pleno funcionamento.
Época Baixa Comércio Náucratis comércio marítimo cerâmica grega delta ocidental
Contexto
Náucratis ficava a cerca de oitenta quilômetros do mar, sobre o braço canópico, longe o bastante para que todo o tráfego passasse por postos de controle egípcios. Ali conviviam santuários de Apolo, de Hera e de Afrodite, um recinto comum fundado por nove cidades da Ásia Menor e das ilhas, um templo egípcio de Amon e oficinas que produziam amuletos e faianças em série. Os mercadores traziam prata, vinho e azeite e levavam cereal, natrão, papiro e linho. O povoado tinha caráter permanente, com bairros, cemitérios e famílias mistas.
Heródoto atribui a Amásis II a concessão do lugar aos gregos, a autorização para erguer templos e a regra de que os navios só entrassem pela boca canópica. A arqueologia matiza o quadro: cerâmica grega do fim do século VII a.C. mostra que o comércio começara antes, e mercadorias do Egeu aparecem também em outras localidades do delta oriental, o que enfraquece a ideia de monopólio absoluto. Mais do que criar o porto, a coroa organizou o que havia, fixando um ponto de entrada, um regime de direitos e limites claros para a presença estrangeira.
Sobre a datação
A cerâmica encontrada no local indica presença grega já no fim do século VII a.C., antes da regulamentação atribuída a Amásis II. A data corresponde ao início desse reinado, não à fundação do povoado.
Importância histórica
Náucratis institucionalizou a troca entre o Egito e o mundo grego e deu ao delta um endereço para ela. Foi por esse canal que o cereal egípcio abasteceu cidades do Egeu e que informações sobre o país chegaram aos primeiros autores gregos que escreveram sobre ele. As escavações do local produziram, além disso, a maior concentração de cerâmica grega arcaica achada em solo egípcio, que serve hoje para medir com precisão a intensidade e o ritmo desse contato.
Consequências
- Deu à coroa saíta um ponto único de controle e taxação do tráfego marítimo grego.
- Abasteceu cidades do Egeu com cereal, natrão e papiro egípcios.
- Produziu em solo egípcio amuletos e faianças destinados à exportação.
- Forneceu o maior conjunto de cerâmica grega arcaica escavado no Egito.
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