525 a.C. Datação estabelecida
A conquista persa e a batalha de Pelúsio
O exército de Cambises II derrotou Psamético III em Pelúsio e tomou Mênfis, transformando o Egito em província do Império Persa. Sobre a conduta do vencedor, a tradição grega e os documentos egípcios contemporâneos afirmam coisas incompatíveis.
Época Baixa Guerras Cambises II Pelúsio satrapia Udjahorresne
Contexto
Amásis II morreu pouco antes do ataque, e seu filho Psamético III reinava havia poucos meses quando a força persa atravessou o Sinai com apoio de guias árabes. O confronto decisivo ocorreu em Pelúsio, na entrada oriental do delta; em seguida Mênfis foi sitiada e tomada, o rei egípcio foi deposto e mais tarde executado. Cambises assumiu titulatura faraônica e organizou o país como satrapia, o bloco que as listas antigas contam como XXVII Dinastia. Cirene e os vizinhos líbios enviaram submissão sem luta.
A partir daqui as fontes se separam. Heródoto, escrevendo cerca de setenta anos depois, descreve um soberano sacrílego, que teria golpeado o touro Ápis, queimado a múmia de Amásis e zombado dos cultos locais. Documentos egípcios do próprio momento mostram outra coisa: a inscrição autobiográfica de Udjahorresne, alto funcionário e médico que serviu à casa saíta e continuou sob Cambises e Dario, conta que obteve a retirada de estrangeiros instalados no recinto de Neite em Sais e o restabelecimento das rendas e dos ritos do templo. Uma estela registra ainda o enterramento de um touro Ápis com honras plenas no sexto ano do rei, enquanto um texto demótico posterior fala em corte de subsídios aos santuários.
Importância histórica
O ano de 525 a.C. encerra a independência saíta e inaugura mais de um século de administração estrangeira. O episódio é também um exercício clássico de crítica de fontes: a narrativa grega, hostil e tardia, e os testemunhos egípcios de continuidade administrativa não se conciliam, e a divergência é ela mesma um dado histórico, ligado à memória sacerdotal, à redução de rendas dos templos e ao interesse dos sucessores em desqualificar o conquistador.
Consequências
- Inseriu o Egito na rede de satrapias, com tributo, guarnições e administração em duas escritas.
- Manteve em funções altos funcionários egípcios formados sob a dinastia saíta.
- Deixou duas versões inconciliáveis sobre a política religiosa do conquistador.
- Abriu um século de revoltas periódicas no delta contra o governo aquemênida.
Acontecimentos relacionados
-
c. 570 a.C. Época Baixa
Náucratis concentra e regula o comércio grego
Amásis II concedeu aos gregos um porto único no braço canópico do Nilo, com santuários, oficinas e cobrança de direitos. Os achados do local mostram…
Comércio -
c. 450 a.C. Época Baixa
Heródoto visita o Egito e escreve sobre o país
O segundo livro das Histórias descreve o Egito sob domínio persa: embalsamamento, cultos animais, festas, o regime da cheia e uma longa lista de…
Escrita -
c. 640 a.C. Época Baixa
O culto de Ápis e as galerias do Serapeu
Um único touro por vez encarnava Ápis, manifestação viva de Ptah em Mênfis. Reconhecido por marcas na pelagem, vivia num recinto do templo, era…
Mudanças religiosas -
343 a.C. Época Baixa
Nectanebo II e o fim da última independência egípcia
Nectanebo II sustentou o trono por dezessete anos com generais gregos a soldo e um programa de obras em quase todos os templos do país. Em 343 a.C…
Dinastias