c. 1640 a.C. Datação aproximada
Carro de guerra e arco composto mudam a guerra no Egito
Entre a XV e a XVIII Dinastias, o exército egípcio incorporou o carro leve de duas rodas, o arco composto, a espada curva e a armadura de escamas. A entrada desse equipamento acompanhou décadas de contato com o Levante, e não um único momento de ruptura.
Segundo Período Intermediário Guerras carro de guerra arco composto cavalos armamento
Contexto
O carro egípcio era uma plataforma leve: caixa aberta de madeira e couro sobre duas rodas de raios, primeiro quatro e depois seis, puxada por uma parelha de cavalos, com um condutor e um arqueiro. Servia para atirar em movimento, perseguir quem fugia e transportar o comando, e sua adoção exigia muito mais que a carroceria: criação de cavalos, forragem, cocheiros, veterinários, oficinas de rodas e eixos, peças de reposição. O arco composto, feito de camadas de madeira, chifre e tendão colados e amarrados, entregava alcance e penetração muito superiores ao arco de vara única, ao preço de fabricação lenta, custo alto e sensibilidade à umidade.
A associação desse conjunto com os senhores de Avaris é razoável, mas convém ser preciso sobre o que a evidência mostra. Restos de cavalo aparecem em Tell el-Dabaa e nas ruínas da fortaleza de Buhen, o que confirma o animal presente no Egito nesses séculos. Os carros conservados, porém, vêm de sepulturas do início do Novo Império, e os primeiros textos egípcios a mencionar parelhas reais são as inscrições de Camés. Ou seja, a origem levantina do equipamento é inferência bem fundamentada em geografia e cronologia, não achado de oficina. No mesmo fluxo de contatos chegaram o tear vertical, novos instrumentos de música, a oliveira e a romãzeira.
Sobre a datação
A adoção desse equipamento é um processo de gerações e não cabe em um ano nem em um reinado. A data serve de marca dentro do período, cujas balizas absolutas continuam apoiadas em registros lunares e em sincronismos parciais com o Oriente Próximo.
Importância histórica
A guerra egípcia deixou de ser um assunto de infantaria com arco simples e passou a depender de uma arma caríssima que exigia estrutura permanente de criação, treino e manutenção. Essa mudança está na base das campanhas do Novo Império: sem parelhas e sem arqueiros de carro não há Megido nem Cades. O episódio também mostra que o período de fragmentação política não foi de atraso material, e sim de intensa transferência de técnicas entre o Egito e o Oriente Próximo.
Consequências
- Obrigou o Estado a manter criação de cavalos, oficinas de rodas e pessoal especializado.
- Deu ao arqueiro alcance e força de penetração que a arqueria anterior não alcançava.
- Tornou-se o eixo tático das campanhas asiáticas do Novo Império.
- Trouxe consigo outros itens de origem estrangeira, do tear vertical a novas plantas cultivadas.
Acontecimentos relacionados
-
c. 1650 a.C. 2.º Intermediário
Os hicsos assumem o governo do norte
Os chefes instalados em Avaris tomaram o poder sobre o norte do Egito e formaram a XV Dinastia. O termo hicsos vem de uma expressão egípcia para…
Dinastias -
1457 a.C. Novo Império
A batalha de Megido inaugura o império asiático
Ao assumir o governo sozinho, Tutmés III enfrentou uma coalizão de cidades sírias e palestinas reunida em Megido. A escolha da passagem estreita de…
Guerras -
1274 a.C. Novo Império
A batalha de Cades contra o Império Hitita
No quinto ano de reinado, quatro divisões egípcias marcharam sobre Cades e caíram em uma emboscada montada por Muwatalli II. O ataque hitita quase…
Guerras -
c. 1552 a.C. 2.º Intermediário
Camés leva a frota tebana até Avaris
No terceiro ano de seu reinado, Camés desceu o Nilo com uma frota, tomou Nefrúsi, devastou os arredores de Avaris e voltou sem tomar a cidade. O…
Guerras