c. 1550 a.C. Datação aproximada
Amósis expulsa os hicsos e funda a XVIII Dinastia
A tomada de Avaris e o cerco a Sharuhen encerraram o governo hicso no delta oriental. Amósis reuniu o vale e o delta sob um só rei, reabriu as pedreiras de calcário para as obras dos templos e inaugurou a linhagem que faria do Egito uma potência com guarnições fora de suas fronteiras.
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Contexto
A ofensiva contra Avaris vinha de duas gerações, iniciada por Seqenenré Taa e continuada por Camés. Amósis subiu ao trono menino e retomou as operações quando dispôs de exército e frota. O relato mais detalhado do episódio não está em um monumento real, mas na autobiografia gravada na tumba do oficial de marinha Ahmés, filho de Ibana, em El-Kab: ele descreve combates embarcados no canal de Avaris, a queda da cidade e, em seguida, um cerco prolongado a Sharuhen, além de condecorações em ouro e cativos recebidos como prêmio de bravura.
As escavações em Tell el-Dabaa, o local de Avaris, não encontraram camada de incêndio generalizado, o que aponta para abandono ou rendição negociada em vez de destruição total. Uma inscrição datada do ano vinte e dois do reinado registra a reabertura das pedreiras de Tura, na margem oriental, para extrair calcário destinado ao templo de Amon em Karnak e ao de Ptah em Mênfis, com bois trazidos das terras dos Fenkhu para arrastar os blocos. Em Abidos, o rei ergueu o último complexo funerário real encimado por uma pirâmide, acompanhado de uma capela para sua avó Tetisheri.
Sobre a datação
O reinado de Amósis abre a série cronológica mais firme do Egito faraônico, sustentada por datas lunares, por observações do nascer helíaco de Sirius e por sincronismos com Hatti, a Assíria e a Babilônia. Mesmo assim, a cronologia alta e a baixa separam o início desse reinado por cerca de uma década.
Importância histórica
A vitória sobre Avaris não devolveu apenas territórios: ela deu ao trono tebano o comando das rotas do delta oriental e das ligações marítimas com o Levante e Chipre. O cerco a Sharuhen mostra a mudança de escala, porque o exército egípcio passou a operar meses de marcha além da fronteira. Daí em diante, a defesa do país seria feita fora dele, com campanhas anuais, guarnições e tributo, e essa opção estratégica organizou quatro séculos e meio de história egípcia.
Consequências
- Devolveu ao rei o controle das bocas do delta e do comércio marítimo com a costa levantina.
- Estabeleceu o precedente das campanhas egípcias sistemáticas no sul do Levante.
- Reabriu as pedreiras de Tura e retomou as obras em pedra nos templos de Karnak e Mênfis.
- Encerrou o costume de sepultar reis sob pirâmides, com o complexo de Abidos como último exemplar.
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