c. 1552 a.C. Datação aproximada
Camés leva a frota tebana até Avaris
No terceiro ano de seu reinado, Camés desceu o Nilo com uma frota, tomou Nefrúsi, devastou os arredores de Avaris e voltou sem tomar a cidade. O relato sobrevive em duas versões de uma inscrição real, uma delas gravada em estela achada em Karnak.
Segundo Período Intermediário Guerras Camés frota Avaris Cusae
Contexto
O texto começa por uma cena de conselho: o rei diz aos seus notáveis que não aceita permanecer entre um senhor estrangeiro ao norte e um núbio ao sul, e os conselheiros recomendam prudência, lembrando que o acordo vigente lhes garante campos e pastagem no delta. O rei parte de todo modo. Nefrúsi, ao norte de Cusae, é tomada; a frota segue até as vizinhanças de Avaris, arrasa vinhedos e captura centenas de embarcações carregadas de madeira de cedro, óleos, resinas, bronze e machados. O tom é comemorativo, como em toda inscrição real, e a cidade em si resiste: a campanha rompe o equilíbrio, mas não decide a guerra.
A passagem mais valiosa é um incidente de correio. Uma patrulha egípcia intercepta, na estrada do oásis, um mensageiro de Apepi que levava carta ao governante de Cuxe propondo ataque combinado contra Tebas. O documento revela que os dois vizinhos do Egito tebano se enxergavam como aliados naturais e que a guerra tinha duas frentes possíveis. Camés morreu pouco depois, e seu caixão, do tipo com decoração de plumas, foi encontrado na necrópole tebana no século XIX. A conclusão da campanha ficaria para seu sucessor, que tomaria Avaris e daria início a uma nova dinastia.
Sobre a datação
A campanha é datada pelo terceiro ano de um reinado de poucos anos, imediatamente anterior ao Novo Império. Sua posição no calendário absoluto herda a margem das observações lunares e dos sincronismos parciais usados para fixar o período.
Importância histórica
É a primeira narrativa militar detalhada dessa guerra e uma das poucas inscrições egípcias que registram um conselho de governo em desacordo com o rei, o que dá ao texto valor que vai além do relato de operações. A carta interceptada é um documento raro de estratégia entre potências do vale do Nilo. A campanha também mostra que o poder de Avaris dependia de tráfego marítimo e fluvial, alvo escolhido com precisão pela frota tebana.
Consequências
- Levou o combate ao território controlado por Avaris, encerrando a convivência negociada.
- Interrompeu parte do comércio marítimo que abastecia o delta oriental.
- Revelou a tentativa de aliança entre Avaris e o reino de Cuxe contra Tebas.
- Preparou a ofensiva final, conduzida pelo sucessor imediato.
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