MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

c. 1985 – 1773 a.C.

XII Dinastia

A fase mais estável do Médio Império: nova capital no norte, fortalezas na Segunda Catarata, drenagem e irrigação no Faium, corregência como técnica de sucessão e uma literatura que se tornou clássica.

Médio Império 10 acontecimentos

Sucessão

Governantes desta linhagem

Reinados em ordem cronológica. As datas anteriores a 664 a.C. são aproximadas.

Cronologia

Acontecimentos atribuídos à XII Dinastia

c. 1985 a.C. Datação aproximada Amenemhat I funda Itjtauy e transfere o centro do poder Amenemhat I chegou ao trono sem ascendência real e mudou a corte para uma cidade nova, Amenemhat-itj-tauy, junto à entrada do Faium. O povoado em si nunca foi localizado com segurança, mas a necrópole real que… Administração XII Dinastia Amenemhat I Médio Egito
Localização
Itjtauy, próxima a Lisht e à entrada do Faium
Médio Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Amenemhat I

A família do novo rei não vinha da realeza: sua mãe se chamava Nofret e o nome do pai, Senusret, é o de um particular. Um alto funcionário chamado Amenemhat aparece conduzindo expedições no fim da XI Dinastia, e a identificação com o futuro rei é provável, embora não demonstrada. Instalar a corte no norte encurtou a distância até o delta, até a estrada do Sinai e até a depressão do Faium, deixando a Tebas o peso religioso. Sua pirâmide, em Lisht, foi construída em parte com blocos retirados de monumentos do Antigo Império, prática que o vinculava aos reis das pirâmides.

O início da XII Dinastia é calculado retrocedendo os anos de reinado a partir das datas lunares conservadas em arquivos de templo, procedimento que acumula erro e mantém uma faixa de cerca de trinta anos entre as cronologias em circulação.

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c. 1975 a.C. Datação aproximada O Muro do Governante fecha a fronteira nordeste A passagem estreita entre o delta oriental e o Sinai recebeu uma linha de postos militares conhecida como Muro do Governante, destinada a vigiar quem entrava pelo nordeste. A obra é conhecida por menções em… Guerras XII Dinastia Amenemhat I Baixo Egito
Localização
Istmo entre o delta oriental e o Sinai
Baixo Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Amenemhat I

A geografia explica a escolha do lugar: entre o braço pelusíaco do Nilo e os lagos rasos do istmo, a travessia por terra se reduzia a poucos corredores com água. Duas composições da própria XII Dinastia citam a obra. Na narrativa de Sinuhe, o fugitivo espera a noite para contornar as fortificações erguidas para conter os beduínos; em outro texto, o rei aparece anunciando que fará barreira contra quem vem do leste. Como se trata de literatura de escola, o que se extrai delas é a existência e o propósito do dispositivo, não sua planta. Nenhuma escavação identificou até hoje uma muralha contínua, e a leitura mais aceita é a de uma sequência de fortins e postos de vigia sobre os pontos de água.

Não há data de construção registrada: o conjunto é atribuído ao reinado de Amenemhat I por menções escritas, e o reinado, por sua vez, é situado por observações lunares e sincronismos parciais que deixam margem de algumas décadas.

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c. 1950 a.C. Datação aproximada Senusret I reconstrói Karnak em pedra Senusret I substituiu as instalações de tijolo do santuário de Amon em Karnak por um templo de calcário e ergueu uma capela de jubileu. Séculos depois, seus blocos foram reaproveitados como enchimento em um… Construções XII Dinastia Senusret I Alto Egito
Localização
Karnak, em Tebas
Alto Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Senusret I

É com esse reinado que Karnak entra na história com arquitetura de pedra documentada. O programa incluiu um pátio com pilares, estátuas do rei em forma osiríaca e a chamada Capela Branca, pequena construção de calcário fino que servia de estação para a barca sagrada durante o festival de jubileu. Suas paredes trazem, além das cenas de oferenda, uma relação dos nomos do Egito com medidas de terra e cotas de produtos: um documento administrativo gravado em pedra, raro para qualquer período. No reinado de Amenhotep III a capela foi desmontada e seus blocos foram usados como recheio interno de um pilone, onde ficaram até serem retirados e recompostos, peça por peça, nas décadas de 1920 e 1930.

A obra se estende por um reinado longo, cujas datas absolutas variam segundo a cronologia adotada: as âncoras disponíveis são registros lunares de arquivos administrativos e sincronismos parciais, insuficientes para fechar a conta em menos de algumas décadas.

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c. 1930 a.C. Datação aproximada A História de Sinuhe fixa a língua clássica A História de Sinuhe conta a fuga de um cortesão para o Levante e seu retorno na velhice. É obra de ficção, não relato de acontecimentos, e virou o texto mais copiado das escolas de escribas egípcias… Escrita XII Dinastia Senusret I Todo o Egito
Localização
Escolas de escribas de Itjtauy e Tebas
Todo o Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Senusret I

A narrativa é escrita em primeira pessoa e imita a forma das autobiografias gravadas em túmulos, recurso que faz parte da arte do texto e engana o leitor apressado. Sinuhe é um funcionário do palácio que ouve a notícia da morte de Amenemhat I, entra em pânico sem que se explique por quê e foge para o norte. Instala-se no Retenu, onde o chefe Amunenshi lhe dá terra e uma filha em casamento; enriquece, tem filhos, vence um campeão local em combate singular e envelhece longe de casa. No fim, escreve ao rei, é perdoado e volta para receber um túmulo egípcio, o que na lógica do enredo é o verdadeiro prêmio.

A composição é situada no reinado de Senusret I por critérios internos de escrita e vocabulário, e esse reinado só pode ser datado em números absolutos por meio de observações lunares e sincronismos parciais, com margem de algumas décadas.

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c. 1900 a.C. Datação aproximada As tumbas de Beni Hassan retratam o cotidiano provincial Escavadas na encosta calcária do nomo do Órix, as tumbas dos governadores de Beni Hassan guardam cenas de colheita, tecelagem, fundição de metal, luta corporal e caça no deserto. É o registro mais detalhado… Vida cotidiana XII Dinastia Senusret II Médio Egito
Localização
Beni Hassan, no nomo do Órix
Médio Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Senusret II

São trinta e nove tumbas decoradas abertas na rocha, das quais quatro concentram os conjuntos mais completos, pertencentes a Baket III, Kheti, Amenemhat e Khnumhotep II. A decoração foi pintada sobre uma camada de estuque, e não esculpida, o que permitiu sequências longas e detalhe miúdo: pares de lutadores em dezenas de posições encadeadas, acrobacias e jogos, teares horizontais em operação, fundidores soprando o fogo com foles, construção de barcos, contagem de gado, colheita e enchimento de celeiros. Há também cenas de guerra com arqueiros e um abrigo móvel usado contra muralhas, e inscrições biográficas em que Khnumhotep II detalha sua nomeação e a ascensão da família.

As tumbas decoradas não pertencem a um único momento: cobrem várias gerações de governadores, entre o início da XII Dinastia e o reinado de Senusret II. A conversão desses reinados em anos absolutos depende de dados lunares e sincronismos incompletos.

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c. 1860 a.C. Datação aproximada A linha de fortalezas da Segunda Catarata A militarização da Baixa Núbia foi feita por etapas: Buhen e outros postos no início da XII Dinastia e, sob Senusret III, o grupo de Semna, Cumma e Uronarti, que fechava o desfiladeiro da Segunda Catarata e… Guerras XII Dinastia Senusret III Núbia e Cuxe
Localização
Buhen, Semna, Cumma e Uronarti
Núbia e Cuxe
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Senusret III

Nada nesse sistema foi improvisado num só reinado. Senusret I mandou construir Buhen e reforçar a região das minas; ao longo de três gerações somaram-se Mirgissa, Askut e Shalfak; com Senusret III chegaram as posições do trecho encachoeirado, onde o rio se estreita entre rochas e podia ser vigiado de perto. As fortalezas eram de tijolo cru, com muralhas espessas, torres salientes, fossos secos, escadas cobertas descendo até a água e celeiros capazes de sustentar guarnições por meses. Duas estelas de fronteira colocadas em Semna, nos anos oito e dezesseis do reinado, fixam o limite meridional e proíbem a passagem de núbios para o norte, exceto por embarcação e para negociar no posto de Iken.

A data indica o auge de um programa iniciado gerações antes e ampliado por etapas. O ano absoluto vem do encadeamento entre datas lunares de arquivos administrativos e sincronismos parciais, que ainda admitem deslocamento de algumas décadas.

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c. 1850 a.C. Datação aproximada Senusret III desmonta o poder dos governadores provinciais Durante o reinado de Senusret III, as grandes tumbas dos governadores de província deixaram de ser construídas e o governo passou a operar por departamentos regionais subordinados ao vizir. Foi um processo de… Administração XII Dinastia Senusret III Todo o Egito
Localização
Itjtauy e capitais provinciais
Todo o Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Senusret III

A mudança é percebida sobretudo pelo que desaparece. Em Beni Hassan, Qau, Meir e Deir el-Bercha, as sepulturas monumentais de governadores param de ser abertas; no lugar delas, multiplicam-se estelas de funcionários em Abidos, com títulos que remetem a repartições centrais e não a províncias. O país foi organizado em três grandes departamentos, o do norte, o do sul e o da região da capital, cada um com seus relatores, escribas e conselhos, todos respondendo ao vizir. Carreiras passaram a ser feitas na corte, por nomeação, em vez de herdadas dentro de uma família provincial. Se isso foi decisão deliberada do rei ou resultado acumulado de mudanças no recrutamento é ponto ainda discutido.

Este reinado é o mais bem amarrado do período, porque um arquivo de templo em Lahun conservou datas lunares e a observação do surgimento de uma estrela; mesmo assim, a leitura desses dados admite duas soluções distantes cerca de trinta e cinco anos.

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c. 1820 a.C. Datação aproximada As obras hidráulicas do Faium ampliam a área cultivada Não houve escavação de um grande lago artificial no Faium, como ainda se repete. O que os reis da XII Dinastia fizeram foi regular a entrada de água pelo canal Bahr Iússuf, controlando o nível de um lago que… Agricultura XII Dinastia Amenemhat III Médio Egito
Localização
Depressão do Faium e canal Bahr Iússuf
Médio Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Amenemhat III

A depressão do Faium fica a oeste do vale e recebia água por um braço natural do Nilo, o Bahr Iússuf, que alimentava um lago grande e raso. Antes de qualquer intervenção, esse lago subia e descia conforme a inundação, e a faixa alagável era instável. O trabalho da XII Dinastia consistiu em disciplinar a entrada: diques e um regulador na garganta por onde o canal penetra na depressão, perto de Lahun, mais canais internos para distribuir a água pelas terras baixas. Com a vazão sob controle, o nível do lago baixou e uma faixa considerável de solo aluvial ficou disponível para plantio, sem que nenhuma bacia tenha sido cavada.

As intervenções se distribuem por mais de um reinado e não têm data de conclusão registrada. Como no restante do período, os anos absolutos vêm de observações lunares conservadas em arquivos e de sincronismos parciais, com folga de algumas décadas.

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c. 1800 a.C. Datação aproximada O papiro de Lahun e a medicina voltada às mulheres Achado na cidade de trabalhadores de Lahun, um papiro do fim do Médio Império reúne cerca de trinta e quatro parágrafos com queixas femininas, prescrições e testes de fecundidade. É o mais antigo documento… Medicina XII Dinastia Amenemhat III Médio Egito
Localização
Lahun, junto à pirâmide de Senusret II
Médio Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Amenemhat III

O papiro foi recolhido em 1889 nas escavações da cidade que abrigava o pessoal ligado à pirâmide de Senusret II, e está hoje em uma coleção universitária em Londres. Sobraram duas páginas com parágrafos numerados. No primeiro grupo, cada item segue a mesma estrutura: descreve-se a queixa, com localização da dor ou do incômodo, nomeia-se o problema e indica-se o que fazer, em geral aplicações locais, fumigações ou bebidas preparadas com cerveja, leite, tâmaras, óleo e resinas. O segundo grupo trata de como saber se uma mulher poderá conceber e de preparados destinados a evitar a concepção.

O documento é datado pela escrita e pelo contexto em que foi achado, o que o coloca no fim da XII Dinastia. Como as datas absolutas do período dependem de registros lunares e de sincronismos parciais, resta uma margem de algumas décadas.

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c. 1777 a.C. Datação aproximada Sobekneferu governa e encerra a XII Dinastia Filha de Amenemhat III, Sobekneferu assumiu o trono com titulatura real completa e governou pouco menos de quatro anos. Seu reinado fecha a XII Dinastia e é tomado aqui como limiar do longo intervalo de… Faraós XII Dinastia Sobekneferu Médio Egito
Localização
Itjtauy e Faium
Médio Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Sobekneferu

Sobekneferu governou por direito próprio, com os cinco nomes da titulatura real, combinando formas masculinas e femininas nos textos, sem se apresentar como regente de ninguém. Suas estátuas, encontradas sem cabeça na região do Faium e no delta oriental, mostram uma figura vestindo o saiote e o manto cerimoniais do rei sobre a roupa feminina, solução de compromisso que a arte egípcia inventou para o caso. Ela acrescentou construções ao complexo funerário do pai em Hauara, deixou obra em Heracleópolis e teve o nome preservado nas listas reais posteriores. Seu túmulo não foi identificado com segurança; a atribuição de uma das pirâmides inacabadas de Mazguna continua sem prova.

Uma lista real conservada em Turim atribui ao reinado três anos, dez meses e vinte e quatro dias, mas a posição desse intervalo no calendário absoluto depende das observações lunares e dos sincronismos parciais que ancoram todo o Médio Império, com margem de algumas décadas.

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