c. 2040 a.C. Datação aproximada
O templo em terraços de Mentuhotep II em Deir el-Bahari
Na enseada rochosa de Deir el-Bahari, Mentuhotep II ergueu um complexo funerário em terraços, com pórticos de pilares e rampa central, encaixado na base do penhasco. O conjunto recebeu o nome de Akh-isut, os lugares esplêndidos, e abandonou a pirâmide como forma do túmulo real.
Médio Império Construções Deir el-Bahari arquitetura funerária Tebas pórticos
Contexto
Uma calçada subia do vale até um pátio onde foram abertas covas para o plantio de tamargueiras e sicômoros, ainda visíveis. Dali uma rampa levava ao terraço, cercado por galerias de pilares quadrados, no centro do qual se erguia um bloco maciço cuja forma original continua em debate: pirâmide baixa, mastaba ou montículo simbólico, sem que os restos permitam decidir. Ao fundo, escavado na rocha, ficava o santuário dedicado a Amon e ao rei divinizado. Um poço na frente do conjunto, o Bab el-Hosan, guardava uma estátua sentada do rei envolto no manto do festival de jubileu, com a pele pintada de negro.
Nas galerias laterais foram abertas capelas e sepulturas para mulheres da família real e sacerdotisas de Hator, cujos sarcófagos de calcário trazem relevos entre os mais delicados do período. O edifício ficou em ruína por milênios e foi reconhecido em escavações do fim do século XIX e das décadas de 1920, que reuniram fragmentos hoje divididos entre coleções do Cairo e de Nova York. Sua influência é medida pelo vizinho: cerca de seis séculos depois, Hatshepsut mandou construir o próprio templo em terraços a poucos metros, repetindo a solução dos pórticos escalonados contra o mesmo penhasco.
Sobre a datação
A obra é atribuída à segunda metade de um reinado cuja duração se conhece melhor que suas datas absolutas, calculadas a partir de âncoras lunares esparsas e de sincronismos incompletos. Daí uma variação de algumas décadas conforme a cronologia adotada.
Importância histórica
É a primeira grande obra real do Egito reunificado e a peça que fez da margem ocidental de Tebas um espaço sagrado de escala nacional. Ao trocar a pirâmide por uma composição de terraços integrada à parede de rocha, o projeto abriu uma linhagem arquitetônica que o Novo Império levaria adiante. Também organizou pela primeira vez, num só recinto, o culto do rei morto e o de Amon, associação que se tornaria o eixo da religião de Estado tebana.
Consequências
- Inaugurou Deir el-Bahari como área de culto real na margem ocidental de Tebas.
- Substituiu a pirâmide por uma composição em terraços integrada ao penhasco.
- Serviu de modelo declarado ao templo que Hatshepsut ergueu ao lado, séculos mais tarde.
- Conservou sepulturas de mulheres da corte com relevos de qualidade excepcional.
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