605 a.C. Datação estabelecida
A derrota em Carquemis encerra a influência egípcia na Ásia
Depois de quatro anos administrando a Síria e a Palestina, o exército de Necao II foi desfeito em Carquemis pelas tropas babilônicas de Nabucodonosor. O Egito recuou para as próprias fronteiras e nunca voltou a governar território asiático.
Época Baixa Guerras Carquemis Babilônia Nabucodonosor II Judá
Contexto
A queda de Nínive, em 612 a.C., deixou um vazio que o Egito tentou ocupar. Em 609 a.C. Necao II marchou para o norte em socorro do que restava do poder assírio, enfrentou e matou Josias de Judá no caminho por Megido, e passou a dispor das cidades levantinas como senhor: depôs e nomeou reis em Jerusalém, cobrou tributo e instalou guarnições até o alto Eufrates. Durante quatro anos o vale do Orontes e a costa fenícia estiveram sob controle egípcio, uma situação que não se repetia desde o fim do Novo Império.
Em 605 a.C. o príncipe herdeiro babilônico Nabucodonosor atravessou o rio e destruiu a força egípcia estacionada em Carquemis, perseguindo os sobreviventes até Hamate. As crônicas babilônicas registram em seguida a submissão de toda a região, e a tradição bíblica situa a batalha no mesmo ano. Nabucodonosor voltou a Babilônia para assumir o trono e, em 601 a.C., atacou o próprio Egito: as duas forças se desgastaram na fronteira e o babilônico retirou-se. A linha do delta resistiu, mas a Ásia estava perdida, e o Egito passou a agir ali apenas por subsídio e diplomacia.
Importância histórica
Carquemis fecha um ciclo de quase nove séculos em que o Egito reivindicou territórios além do Sinai, iniciado com as campanhas do começo do Novo Império. A partir dali o poder egípcio passa a ser naval, comercial e defensivo, concentrado no delta e no Mediterrâneo. Para os pequenos reinos do Levante, o desaparecimento do contrapeso egípcio foi decisivo: sem ele, Judá ficou exposta à pressão babilônica que levaria à queda de Jerusalém duas décadas depois.
Consequências
- Transferiu à Babilônia o controle da Síria e da Palestina.
- Deixou Judá sem contrapeso externo, o que precederia a queda de Jerusalém em 587 a.C.
- Levou a dinastia saíta a concentrar recursos na marinha e na fortificação do delta.
- Encerrou a política de expansão territorial herdada do Novo Império.
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