c. 600 a.C. Datação aproximada
A tentativa de ligar o Nilo ao Mar Vermelho
Necao II abriu uma via navegável que partia do braço pelusíaco do Nilo e seguia pelo Uádi Tumilate em direção aos lagos amargos. Não era um corte entre dois mares, como o traçado moderno: a obra foi interrompida e só ficou pronta sob Dario I.
Época Baixa Construções canal Uádi Tumilate Dario I navegação fluvial
Contexto
O percurso aproveitava uma depressão natural que corre para leste a partir do delta oriental. A escavação levava água do rio até a região dos lagos amargos e, de lá, descia para o golfo de Suez, de modo que barcos de rio pudessem alcançar a costa oriental. Nada disso funcionava como uma passagem entre mares abertos: o canal dependia do nível do Nilo, servia sobretudo durante a inundação e precisava de dragagem constante para não desaparecer sob o assoreamento. Necao II tinha motivos claros para tentar, pois estava construindo ao mesmo tempo uma frota de guerra em dois mares.
A obra parou antes de terminar. Heródoto atribui a interrupção a um oráculo desfavorável e informa um número de mortos que nenhuma outra fonte confirma; as guerras no Levante e a construção naval também disputavam os mesmos recursos. Cerca de um século depois, já com o Egito integrado ao Império Persa, Dario I concluiu o traçado e mandou erguer ao longo dele estelas comemorativas em quatro escritas, que afirmam que navios partiram do Egito para a Pérsia. O canal foi reaberto mais de uma vez, entre elas sob Ptolomeu II, e voltou a assorear em cada intervalo de abandono.
Sobre a datação
O início das obras é situado no reinado de Necao II sem ano preciso. Os relatos antigos sobre a interrupção e sobre a etapa final divergem nos detalhes.
Importância histórica
A empreitada revela a ambição marítima da dinastia saíta, disposta a ligar a economia fluvial do Nilo ao comércio do Mar Vermelho. É também um dos casos mais claros de projeto egípcio levado ao fim pela administração persa, que o reivindicou em pedra e em várias escritas. E serve de advertência contra a leitura retrospectiva: o que se abriu ali foi um canal de rio dependente da cheia, não uma rota permanente entre o Mediterrâneo e o oceano Índico.
Consequências
- Deu ao Egito uma rota interior entre o Nilo e o golfo de Suez, dependente do nível do rio.
- Foi concluída pela administração persa, que a registrou em estelas de quatro escritas.
- Exigiu dragagens e reaberturas sucessivas, uma delas no reinado de Ptolomeu II.
- Ampliou o alcance da frota criada por Necao II para além do Mediterrâneo.
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