c. 280 a.C. Datação aproximada
O Farol de Alexandria e o porto do Mediterrâneo
Erguido na ponta da ilha que deu nome ao edifício, o farol tinha três corpos sobrepostos e um foco de luz no alto, alimentado por fogo segundo as descrições antigas. Orientou a navegação por mais de mil anos antes de ruir em terremotos sucessivos.
Período Ptolemaico Construções Faros porto engenharia navegação
Contexto
A costa egípcia é baixa, monótona e cheia de bancos de areia, sem qualquer marco natural que indique a entrada de um porto. A torre resolveu esse problema. As moedas, os mosaicos e os relatos de viajantes árabes descrevem três corpos sobrepostos, o primeiro de planta quadrada, o segundo octogonal e o terceiro cilíndrico, com uma rampa interna para levar combustível ao topo. As estimativas de altura vão de cem a mais de cento e trinta metros. Estrabão e Plínio registram a dedicatória feita por Sóstrato de Cnido, e o dique chamado Heptastádio ligava a ilha à terra firme, criando dois portos abrigados.
O edifício continuou em uso durante os períodos romano, bizantino e islâmico, com reparos periódicos. Terremotos entre os séculos X e XIV derrubaram os corpos superiores, e em 1477 as pedras remanescentes foram reaproveitadas na fortaleza de Qaitbay, construída sobre o mesmo terreno. A partir de 1994, campanhas de escavação subaquática no porto oriental recuperaram blocos colossais, colunas e esculturas, entre elas estátuas reais em estilo egípcio tradicional, sinal de que os Ptolomeus decoraram a frente marítima da capital com escultura faraônica, e não apenas grega.
Sobre a datação
A conclusão é situada entre cerca de 285 e 280 a.C., no reinado de Ptolomeu II. A altura e a forma dependem de descrições, moedas e mosaicos posteriores, que não concordam entre si.
Importância histórica
O farol foi ao mesmo tempo uma obra de engenharia útil e um manifesto político: anunciava, a quem chegasse pelo mar, que Alexandria era a porta do país mais rico do Mediterrâneo oriental. Tornou-se emblema da cidade em moedas, lâmpadas e mosaicos, e fixou o tipo de construção que serviria de referência para todos os faróis posteriores. Suas ruínas submersas são hoje um dos principais conjuntos de arquitetura antiga escavados debaixo da água.
Consequências
- Tornou seguro o acesso a um litoral sem referências visuais naturais.
- Fez do nome da ilha o termo corrente para esse tipo de torre.
- Estampou-se em moedas, lâmpadas e mosaicos como emblema da capital.
- Deixou no fundo do porto oriental um vasto conjunto de blocos e esculturas.
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