c. 280 a.C. Datação aproximada
Manetão organiza a história egípcia em dinastias
Sacerdote de Sebenitos, Manetão escreveu em grego uma história do Egito que distribuía os soberanos em trinta linhagens sucessivas. O texto original desapareceu e sobrevive em resumos discordantes, mas a divisão que ele propôs continua sendo a espinha dorsal da cronologia egípcia.
Período Ptolemaico Escrita Manetão cronologia listas de reis Sebenitos
Contexto
Manetão pertencia ao clero de uma cidade do delta e tinha acesso aos arquivos de templo, com listas de reis, anais e registros de reinado acumulados por séculos. Escreveu para leitores de fora, no momento em que uma casa macedônia precisava entender e reivindicar o passado do país que governava. Sua obra, em três livros, ia dos deuses e semideuses até o domínio persa, e agrupava os reis por sede de poder e por família, com duração de cada reinado e notas curtas sobre acontecimentos. O agrupamento em trinta linhagens é dele; a trigésima primeira foi acrescentada depois.
O original se perdeu. O que existe são citações em Flávio Josefo e resumos feitos por cronistas cristãos, transmitidos por compiladores bizantinos, com números que divergem entre si e trechos claramente interpolados. Nem sempre a divisão corresponde a rupturas familiares reais, e há linhagens que governaram ao mesmo tempo, em cidades diferentes, contadas como se fossem sucessivas. A egiptologia usa o esquema como moldura e o corrige com as listas egípcias de reis, entre elas o cânone de Turim e as tabelas de Abidos e de Saqara, com genealogias, sincronismos assírios e babilônicos e datações de laboratório.
Sobre a datação
A obra não traz data e o autor é conhecido apenas por citações de terceiros. Sua composição é situada no reinado de Ptolomeu II com base em referências indiretas.
Importância histórica
Falar da IV ou da XVIII Dinastia é usar, ainda hoje, o vocabulário criado por esse sacerdote. Nenhum outro esquema conseguiu substituí-lo, porque nenhum organiza tão bem três mil anos de reinados em blocos manejáveis. A obra tem valor duplo: é a principal ponte entre os arquivos de templo e o conhecimento moderno, e é o testemunho de um egípcio culto tentando explicar a própria história a um público que acabara de assumir o governo do país.
Consequências
- Deu à egiptologia o esquema de dinastias numeradas ainda em uso.
- Transmitiu nomes de reis que os monumentos confirmaram séculos depois.
- Obrigou os especialistas a trabalhar com resumos de terceiros, de números divergentes.
- Registrou a leitura que a elite sacerdotal egípcia fazia de seu próprio passado.
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