MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

c. 1450 a.C. Datação aproximada

O jardim botânico de Karnak cataloga plantas estrangeiras

Nas salas anexas ao Akhmenu, em Karnak, as paredes foram cobertas de plantas e animais gravados em relevo, apresentados como espécies encontradas nas terras de Retjenu. É o mais antigo repertório figurado de flora e fauna estrangeiras conhecido, com centenas de exemplares identificáveis.

Novo Império Agricultura Karnak botânica Retjenu relevos

Contexto

O Akhmenu, salão de festas erguido a leste do santuário principal de Karnak, recebeu no seu conjunto de câmaras um programa decorativo sem paralelo. Em vez das cenas habituais de oferenda, as paredes exibem fileiras de plantas com raiz, flor e fruto, além de aves, quadrúpedes e frutos isolados. Uma legenda declara que se trata do que a majestade encontrou na terra de Retjenu, designação egípcia da Síria e da Palestina, o que liga o conjunto às campanhas asiáticas. Estimativas correntes apontam cerca de duas centenas e meia de espécies representadas.

A identificação botânica é difícil, porque o desenhista trabalhou com convenções egípcias de perfil e simetria e não com finalidade descritiva moderna: algumas plantas são reconhecíveis, como a íris, a romãzeira e variedades de arum, outras permanecem discutidas ou parecem combinações estilizadas. A intenção do conjunto era religiosa e política. Mostrar o mundo vegetal do estrangeiro dentro do templo equivalia a declarar que Amon havia entregado ao rei aquelas terras, junto com tudo o que nelas crescia. Espécies trazidas por essas campanhas, como a romãzeira e a oliveira, passaram efetivamente a ser cultivadas no Egito a partir do Novo Império.

Sobre a datação

As salas fazem parte do Akhmenu, cuja construção é situada no fim do reinado de Tutmés III, sem data de dedicação preservada. A cronologia do Novo Império é a mais segura do Egito faraônico, mas as datas absolutas continuam a divergir cerca de dez anos entre as reconstruções alta e baixa.

Importância histórica

O conjunto documenta a chegada de plantas cultivadas de origem levantina ao vale do Nilo e permite acompanhar mudanças na dieta, na jardinagem de templo e no repertório de oferendas. Ele também mostra que a apropriação do estrangeiro não se limitava a tributo em metal e gado: incluía sementes, mudas e animais exóticos exibidos como prova do alcance do poder real. Para a história natural, é uma das poucas fontes visuais antigas com pretensão de inventário.

Consequências

  • Registrou em relevo cerca de duas centenas e meia de plantas e animais atribuídos a Retjenu.
  • Documentou a introdução da romãzeira e de outras culturas levantinas no vale do Nilo.
  • Associou o repertório natural do estrangeiro à legitimação religiosa das conquistas.
  • Forneceu à egiptologia a mais antiga tentativa conhecida de inventário figurado de espécies.

Acontecimentos relacionados