c. 1470 a.C. Datação aproximada
A expedição ao Punt e o comércio de incenso
Cinco navios partiram de um porto do Mar Vermelho em busca de resinas aromáticas e voltaram carregados de mirra, ébano, marfim, ouro e animais vivos. O pórtico sul de Deir el-Bahari registrou a viagem em relevos que descrevem as embarcações, os moradores do Punt e as mercadorias pesadas na chegada.
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Contexto
O Punt aparece em documentos egípcios desde a V Dinastia como fonte das resinas queimadas nos templos. Os relevos do templo de Deir el-Bahari são o registro mais detalhado de uma dessas viagens: mostram a montagem dos navios, a travessia, as casas do Punt erguidas sobre estacas entre palmeiras, peixes do Mar Vermelho desenhados com precisão suficiente para identificação de espécie, e o encontro com o chefe Parehu e sua esposa Ati. A chefia da missão é atribuída ao chanceler Nehesi, e a expedição combinou trecho fluvial, travessia do deserto oriental com as peças das embarcações e navegação costeira.
A carga registrada inclui resina de mirra em montes, ébano, marfim, ouro, peles de felino, madeira aromática, babuínos vivos e trinta e uma mudas de árvore de incenso transportadas em cestos com terra. As mudas foram plantadas nos terraços do templo, onde as covas de raiz foram identificadas em escavação. O texto que acompanha as cenas apresenta o resultado como tributo espontâneo trazido a Amon, formulação de propaganda que encobre uma operação de troca: os egípcios levaram colares, machados, punhais e vasilhas para negociar. A localização exata do Punt continua discutida, com a costa entre o Sudão e a Eritreia como hipótese mais aceita.
Sobre a datação
Os relevos situam a viagem no ano nove da corregência, mas não trazem indicação de mês nem de duração total. A conversão para datas absolutas herda a margem de cerca de dez anos que separa as cronologias alta e baixa do Novo Império.
Importância histórica
A expedição documenta a estrutura de uma viagem comercial de longa distância no segundo milênio antes da era comum: desmontagem e transporte de navios pelo deserto, portos temporários, intérpretes e presentes de troca. Também explica a economia do culto, que consumia resinas importadas em quantidade diária. Os relevos, além disso, funcionam como registro visual de fauna, flora e arquitetura estrangeiras, e por isso são usados até hoje em estudos de história ambiental do Mar Vermelho.
Consequências
- Reabriu a rota do Mar Vermelho abandonada desde o fim do Médio Império.
- Abasteceu os templos tebanos de mirra e resinas usadas no culto diário.
- Introduziu árvores de incenso nos terraços do templo de Deir el-Bahari, com covas ainda visíveis.
- Deixou o registro figurado mais completo de uma expedição comercial egípcia.
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