MamiAgency Linha do Tempo do Antigo Egito

Eixo temático

Agricultura

Inundação do Nilo, irrigação, colheitas, celeiros, fome e abundância.

6 acontecimentos De c. 5300 – 4500 a.C. a c. 20 a.C.

Período Pré-Dinástico

c. 5300 – 3000 a.C.

1 acontecimento

c. 5300 – 4500 a.C. Datação aproximada Primeiras aldeias agrícolas se fixam no vale do Nilo Entre a depressão do Faium e Merimda, no norte do vale, grupos que viviam da caça e da pesca passaram a semear trigo e cevada e a criar ovelhas, cabras e porcos. Surgiram assim as primeiras aldeias estáveis do… Agricultura Médio Egito
Localização
Depressão do Faium e região de Merimda, no norte do vale
Médio Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

O trigo e a cevada cultivados no Egito não são plantas nativas do vale: chegaram do sudoeste asiático, junto com ovelhas e cabras, e tiveram de ser adaptados a um regime de cheia anual muito diferente das chuvas de inverno em que haviam sido domesticados. No Faium, as comunidades mais antigas ocupavam as margens de um lago então bem mais extenso, pescavam em grande quantidade e guardavam a colheita em silos forrados de cestaria, cavados em terreno seco longe da água. A lavoura conviveu por muito tempo com a caça e a coleta, sem substituir nenhuma delas de imediato.

As balizas vêm de datação por radiocarbono aplicada a grãos, cestaria e carvão recolhidos no Faium e em Merimda, com margens que alcançam alguns séculos. Não existe nenhum registro escrito para conferir esses números.

Abrir o registro completo

Antigo Império

c. 2686 – 2181 a.C.

1 acontecimento

c. 2430 a.C. Datação aproximada Os relevos das estações descrevem o ano agrícola Uma câmara do templo solar de Abu Gurab foi decorada como um calendário visual: peixes que desovam, aves que nidificam, rebanhos no pasto, ceifa e transporte de grãos. Os fragmentos preservados cobrem duas das… Agricultura V Dinastia Niuserré Baixo Egito
Localização
Templo solar de Niuserré, em Abu Gurab
Baixo Egito
Dinastia
V Dinastia
Governante
Niuserré

A sala foi identificada por uma missão alemã que trabalhou no sítio entre 1898 e 1901 e retirou centenas de blocos decorados, hoje divididos entre acervos do Cairo e de Berlim. A composição está organizada por estação: o tempo da semeadura, quando as águas baixam, e o da colheita, com a ceifa, a debulha e a condução do gado sobre a espiga. Faltam as cenas da inundação, perdidas com a parte destruída da parede. Entre as figuras aparecem personificações do rio, das províncias e das propriedades que traziam produtos ao santuário.

Os relevos pertencem ao templo solar de Niuserré, cujo reinado é situado em cerca de vinte e quatro anos; a data corresponde ao período de decoração do santuário.

Abrir o registro completo

Primeiro Período Intermediário

c. 2181 – 2055 a.C.

1 acontecimento

c. 2200 – 2050 a.C. Datação em debate Uma sequência de inundações fracas atinge o vale Sedimentos de lagos, camadas em cavernas e perfis do delta apontam uma fase mais seca no nordeste da África no fim do terceiro milênio. Registros egípcios do mesmo intervalo mencionam cheias insuficientes e… Agricultura Todo o Egito
Localização
Vale e delta do Nilo
Todo o Egito
Dinastia
Anterior às dinastias
Governante
Não atribuído

A base material do argumento vem de fora dos textos. Níveis de lagos africanos e do mar Morto, isótopos em concreções de cavernas do Levante, poeira transportada pelo vento em sedimentos marinhos diante da foz e areias sopradas sobre solos cultivados no delta convergem para uma redução das chuvas nas cabeceiras e uma sequência de cheias abaixo da média. O fenômeno não foi local: indicadores semelhantes aparecem na Mesopotâmia, na Anatólia e no sul da Ásia, e a fase é tratada na literatura especializada como um episódio de aridez de alcance hemisférico.

Os indicadores paleoambientais oferecem intervalos amplos, de décadas a séculos, e sua correspondência com a cronologia dinástica é apenas aproximada; a duração e a intensidade do episódio continuam em discussão.

Abrir o registro completo

Médio Império

c. 2055 – 1650 a.C.

1 acontecimento

c. 1820 a.C. Datação aproximada As obras hidráulicas do Faium ampliam a área cultivada Não houve escavação de um grande lago artificial no Faium, como ainda se repete. O que os reis da XII Dinastia fizeram foi regular a entrada de água pelo canal Bahr Iússuf, controlando o nível de um lago que… Agricultura XII Dinastia Amenemhat III Médio Egito
Localização
Depressão do Faium e canal Bahr Iússuf
Médio Egito
Dinastia
XII Dinastia
Governante
Amenemhat III

A depressão do Faium fica a oeste do vale e recebia água por um braço natural do Nilo, o Bahr Iússuf, que alimentava um lago grande e raso. Antes de qualquer intervenção, esse lago subia e descia conforme a inundação, e a faixa alagável era instável. O trabalho da XII Dinastia consistiu em disciplinar a entrada: diques e um regulador na garganta por onde o canal penetra na depressão, perto de Lahun, mais canais internos para distribuir a água pelas terras baixas. Com a vazão sob controle, o nível do lago baixou e uma faixa considerável de solo aluvial ficou disponível para plantio, sem que nenhuma bacia tenha sido cavada.

As intervenções se distribuem por mais de um reinado e não têm data de conclusão registrada. Como no restante do período, os anos absolutos vêm de observações lunares conservadas em arquivos e de sincronismos parciais, com folga de algumas décadas.

Abrir o registro completo

Novo Império

c. 1550 – 1069 a.C.

1 acontecimento

c. 1450 a.C. Datação aproximada O jardim botânico de Karnak cataloga plantas estrangeiras Nas salas anexas ao Akhmenu, em Karnak, as paredes foram cobertas de plantas e animais gravados em relevo, apresentados como espécies encontradas nas terras de Retjenu. É o mais antigo repertório figurado de… Agricultura XVIII Dinastia Tutmés III Alto Egito
Localização
Templo de Amon em Karnak
Alto Egito
Dinastia
XVIII Dinastia
Governante
Tutmés III

O Akhmenu, salão de festas erguido a leste do santuário principal de Karnak, recebeu no seu conjunto de câmaras um programa decorativo sem paralelo. Em vez das cenas habituais de oferenda, as paredes exibem fileiras de plantas com raiz, flor e fruto, além de aves, quadrúpedes e frutos isolados. Uma legenda declara que se trata do que a majestade encontrou na terra de Retjenu, designação egípcia da Síria e da Palestina, o que liga o conjunto às campanhas asiáticas. Estimativas correntes apontam cerca de duas centenas e meia de espécies representadas.

As salas fazem parte do Akhmenu, cuja construção é situada no fim do reinado de Tutmés III, sem data de dedicação preservada. A cronologia do Novo Império é a mais segura do Egito faraônico, mas as datas absolutas continuam a divergir cerca de dez anos entre as reconstruções alta e baixa.

Abrir o registro completo

Domínio romano

30 a.C. – 641 d.C.

1 acontecimento

c. 20 a.C. Datação aproximada O Egito se torna o celeiro de Roma Roma passou a depender das colheitas egípcias para alimentar sua população. Uma parcela expressiva do trigo consumido na capital saía todos os anos de Alexandria em comboios organizados pelo Estado, resultado… Agricultura Província romana e bizantina Augusto Todo o Egito
Localização
Vale do Nilo, com embarque em Alexandria
Todo o Egito
Dinastia
Província romana e bizantina
Governante
Augusto

O imposto fundiário do Egito era pago sobretudo em grão. Cada parcela cultivável estava registrada em cadastros que indicavam responsável, área e categoria de terra, e a cota devida variava conforme a altura da inundação medida nos nilômetros. A colheita recolhida se concentrava em celeiros de aldeia, era transferida para armazéns distritais e seguia em barcaças rio abaixo até Alexandria, de onde partia por mar rumo aos portos de Putéoli e, mais tarde, de Óstia.

A remessa anual de grão consolidou-se ao longo do principado de Augusto, sem marco inicial datado. A data indicada corresponde ao momento em que a frota de abastecimento já operava com regularidade.

Abrir o registro completo