237 a.C. Datação estabelecida
O templo de Edfu e a arquitetura dos últimos santuários
A pedra fundamental do templo de Hórus foi assentada em 237 a.C., e a obra só terminou cento e oitenta anos depois. Suas paredes cobertas de texto formam o maior repositório conhecido de ritual, calendário de festas e geografia sagrada do Egito tardio.
Período Ptolemaico Construções Edfu Hórus templos tardios inscrições rituais
Contexto
A construção começou no reinado de Ptolomeu III, sobre o lugar de um santuário mais antigo. O corpo interior ficou pronto em 212 a.C. e recebeu decoração até 142; o pátio, a sala hipóstila externa e o pilone só foram concluídos em 57 a.C., sob Ptolomeu XII. As datas estão gravadas nas próprias paredes, em textos que registram cada etapa. No santuário permaneceu o naos monolítico de granito do último faraó nativo, herdado do edifício anterior. O templo chegou quase intacto ao século XIX porque estava soterrado em areia e coberto por casas de aldeia, retiradas nas obras de desobstrução iniciadas em 1860.
O que está escrito ali é tão importante quanto a arquitetura. As paredes trazem calendários de festas, listas de oferendas, o ritual do falcão sagrado, o drama do triunfo de Hórus sobre Set, relações de distritos e canais e um inventário da geografia religiosa do país. É a compilação de um clero que estava organizando por escrito tudo o que sabia. As formas construtivas seguem o mesmo padrão dos santuários contemporâneos de Dendera, Esna, Kom Ombo e Filas: capitéis florais variados, muros-cortina entre as colunas da fachada, casa de nascimento, nilômetro e câmaras de arquivo.
Importância histórica
Os templos tardios são a fonte mais completa sobre o ritual egípcio, justamente porque foram construídos quando o clero decidiu registrar em pedra o que antes circulava em rolos. Edfu é o exemplar melhor conservado desse conjunto e permite acompanhar, ano por ano, um canteiro que atravessou seis reinados. Ele mostra ainda o acordo que sustentava o período: reis macedônios financiavam santuários e apareciam neles em traje e titulatura estritamente egípcios.
Consequências
- Preservou o mais completo conjunto de textos rituais de um templo egípcio.
- Serviu de referência para Dendera, Esna e Kom Ombo, erguidos nos mesmos moldes.
- Manteve no santuário o naos de granito herdado do último faraó nativo.
- Chegou quase intacto à era moderna por estar coberto de areia e de casas.
Acontecimentos relacionados
-
343 a.C. Época Baixa
Nectanebo II e o fim da última independência egípcia
Nectanebo II sustentou o trono por dezessete anos com generais gregos a soldo e um programa de obras em quase todos os templos do país. Em 343 a.C…
Dinastias -
196 a.C. Ptolemaico
O decreto de Mênfis inscrito na Pedra de Roseta
Reunidos em Mênfis em março de 196 a.C., os sacerdotes do Egito votaram honras e culto ao jovem Ptolomeu V em troca de isenções, perdão de dívidas e…
Escrita -
c. 30 d.C. Domínio romano
Dendera é concluída sob administração romana
O grande santuário de Hator, iniciado no fim do período ptolemaico, recebeu seu vestíbulo colunado já sob Roma, com o imperador esculpido como faraó…
Construções -
1858 d.C. Descobertas
Nasce o serviço de antiguidades e o museu do Cairo
A criação de um serviço de antiguidades em 1858 deu ao país uma autoridade encarregada de fiscalizar escavações e conter a saída de objetos…
Arqueologia