c. 260 a.C. Datação aproximada
A burocracia ptolemaica reorganiza a terra e o imposto
No Faium ampliado por drenagem, a coroa mediu terras, classificou lavradores e arrendou a arrecadação a particulares. Milhares de documentos guardados em Filadélfia mostram a máquina em funcionamento, operando em duas escritas e exigindo registro dos contratos.
Período Ptolemaico Administração Faium arquivo de Zenon impostos demótico
Contexto
A ocupação do Faium foi o maior projeto agrário do período. Canais e diques recuperaram terra do lago, e nas aldeias novas, várias delas batizadas com nomes da família real, assentaram-se veteranos macedônios e gregos que recebiam lotes em troca de serviço militar. Ao lado deles trabalhavam camponeses egípcios em terra da coroa e em terra de templo, com contratos de arrendamento, sementes adiantadas e quotas fixadas por escrito. Foi também nesse momento que o trigo duro substituiu em larga escala os cereais tradicionais do país, mudança visível nos recibos de colheita.
A documentação sobrevivente é excepcional. O administrador Zenon, de Cauno, que geria a propriedade concedida ao ministro das finanças Apolônio, deixou milhares de recibos, cartas, contratos e queixas. Uma lei de receitas do reinado detalha o monopólio do óleo e o arrendamento de impostos, com licitantes e fiadores responsáveis pelo valor previsto. O grego era a escrita da administração; o demótico continuava a servir aos contratos privados e aos templos, e havia notários e escribas capazes de trabalhar nos dois registros. Mais tarde, exigiu-se que contratos demóticos fossem inscritos em grego para valer nos tribunais reais.
Sobre a datação
A data corresponde ao período coberto pelos arquivos de Filadélfia e pela lei de receitas de Ptolomeu II. A implantação do sistema foi gradual e desigual entre as regiões do país.
Importância histórica
Nenhuma outra província do mundo antigo é conhecida com esse grau de detalhe. Os documentos do Faium permitem acompanhar salários, aluguéis, disputas por água, preços de grão e a carreira de funcionários de aldeia, ano a ano. Eles mostram também um Estado que governava por escrito e em duas tradições jurídicas ao mesmo tempo, prática que sobreviveu à conquista romana e moldou a administração do país por mais de seis séculos.
Consequências
- Ampliou a área cultivada do Faium com colonos militares assentados em lotes.
- Arrendou a arrecadação a particulares, obrigados a garantir o valor previsto.
- Tornou obrigatório o registro em grego dos contratos que fossem levados aos tribunais reais.
- Preservou, em milhares de documentos, o funcionamento diário de uma província agrícola.
Acontecimentos relacionados
-
c. 1820 a.C. Médio Império
As obras hidráulicas do Faium ampliam a área cultivada
Não houve escavação de um grande lago artificial no Faium, como ainda se repete. O que os reis da XII Dinastia fizeram foi regular a entrada de água…
Agricultura -
c. 1850 a.C. Médio Império
Senusret III desmonta o poder dos governadores provinciais
Durante o reinado de Senusret III, as grandes tumbas dos governadores de província deixaram de ser construídas e o governo passou a operar por…
Administração -
c. 150 d.C. Domínio romano
Os papiros de Oxirrinco revelam a vida na província
Os montes de entulho de uma cidade do Médio Egito guardaram centenas de milhares de fragmentos escritos, do recibo de imposto à carta de família. É o…
Vida cotidiana -
196 a.C. Ptolemaico
O decreto de Mênfis inscrito na Pedra de Roseta
Reunidos em Mênfis em março de 196 a.C., os sacerdotes do Egito votaram honras e culto ao jovem Ptolomeu V em troca de isenções, perdão de dívidas e…
Escrita